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quinta-feira, 14 de abril de 2011

Um novO tempo começou pra mim agora...


terça-feira, 12 de abril de 2011

Existem coisas.. Pessoas.. Momentos... Fui Fraca.. Possuída pela Inveja, OdiO e o Amor... ???


CAPÍTULO II

Chega finalmente o grande dia. Para Débora, seu aniversário era o maior acontecimento do ano. Já tinha convencido sua mãe. Marcado com todas as suas amigas e organizado uma festa incrível, prometendo a elas uma grande surpresa. Além de se produzir nos mínimos detalhes, pois ela queria estar perfeita e assim ficou. Usou um top prateado com tons brilhantes e uma bela calça jeans preta, realçando ainda mais a sua beleza, porque ela queria ficar perfeita para seduzir o Jonas de uma vez por todas.
No momento marcado para iniciar a festa, ela ainda estava se arrumando. E os convidados já estavam ansiosos para o que iria acontecer naquela noite. Débora havia convidado todos do colégio onde estudava e essa atitude intrigou Tereza, que apesar de ser ambiciosa, nunca viu essa reação na filha.  Logo Vânia também chegou e foi até o quarto da nova amiga ajuda-la a se preparar para sua grande festa. No decorrer das horas, todos chegaram, exceto Fernanda e o principal convidado da noite, o Jonas. Após ficar arrumada, Débora pede a Vânia que avise a todos que a anfitriã da noite vai chegar. A menina havia preparado uma entrada digna de cinema, com direito a holofotes e toda a atenção para ela.
No instante que Débora apareceu no alto das escadas, todos a aplaudiram e cantaram os parabéns para ela, mas seus olhos estavam atônitos, buscavam Jonas em meio a multidão de seus amigos, conhecidos e até estranhos penetras que fizeram de tudo para ir  naquela magnífica festa.
Todos a elogiavam, parabenizavam, enfim, Débora recebeu o carinho devidamente programado, principalmente por uma dezena de interesseiros que ali estavam. Mas para ela, sem Jonas, aquela festa não tinha importância alguma. Então ela começou a beber muito. Misturou várias bebidas alcoólicas e acabou ficando tonta. Vânia que esteve o tempo inteiro ao seu lado, tentado deixa-la alegre, contribuiu mais ainda para que ela bebesse mais. Os fotográfos, os amigos, até mesmo Tereza estavam curtindo a festa. Mas Débora não, para ela tudo aquilo estava sedo em vão. Ela só queria o professor Jonas.
Mais tarde ela continuou a beber, os go go boys faziam bebidas muito variadas e saborosas, faziam filas para provar. Mas a aniversariante tinha lugar de destaque em meio aqueles homens lindos, Débora não só ficava entre eles, como também bebia direto da boca deles. Até que Vânia puxou ela para um canto isolado da casa e aconselhou que parasse com aquilo, lembrou a ela da promessa que tinha feito a Tereza e meio irritada, mas ainda consciente Débora aquietou-se.
Mesmo com esse episódio, a festa fluía em um clima muito bom, todos os convidados estavam satisfeitos, Tereza eufórica com os fotográfos e jornalistas enquanto apenas Débora ficava cada vez mais bêbada. Sempre alguém dava um jeito de burla a atenção de Vânia e levar algum drinque para a menina. Mas pelo menos ela estava ficando mais animada. E no instante que ela resolveu dançar a música parou e todos ficaram sem entender nada. Débora subiu na mesa onde estava o bolo e perguntou ao DJ o que havia acontecido. Mas nesse momento a porta principal da casa se abriu e Daniel entrou.
- O que você está fazendo aqui? – gritou Tereza, virando a cadeira de rodas na direção onde vinha o ex-marido.
- Cala a boca Tereza! Só estou aqui para dar os parabéns para minha filhinha. – sorriu cinicamente.
- Parabéns dado papai. Agora pode ir. – disse Débora com muita raiva. – Você sabe que não é bem-vindo aqui, não sabe?!
Daniel fez-se de coitado e retrucou.
- Estão vendo, nem no aniversário da minha filhinha posso ir. – lágrima falsas saíram dos seus olhos.
- Você é muito cinico, Daniel! – gritou Tereza.
- Já disse para você calar disse para você calar a boca Tereza! Sua inválida, ínutil!
- Inválida?! Para sua culpa, ou você esqueceu do tiro que me deu?
- Mas você me deu bons motivos para isso! – Daniel encarou a mulher.
- Muito em merecidos e até deveria ter recebido mais. – insinuou ela.
Débora que viu aquela discurção calada, começou a chorar. Estava com muita vergonha e sem pensar, bebeu um último gole da bebida que estava na mão de um rapaz ao seu lado e fugiu daquela situação constrangedora diante de toda cidade.
Ela correu muito, até cansar. Olhou para trás e viu a multidão se dissipando. No escuro do sítio em meio as árvores ela podia ver os faróis dos carros se distanciando então ela resolveu correr ainda mais. Parou embaixo de uma grande mangueira que ela costumava brincar quando criança e chorou. Chorou mais o que podia.
No dia que seria o mais perfeito de sua vida. O dia que conquistaria o amor da sua vida. Tudo acabou da pior forma possível. E ainda era o começo.
O celular tocou. Era Fernanda.
- Oi, A-M-I-G-A! – Disse Débora – Muito obrigada pela sua consideração!
Débora secou as lágrimas.
- Calma, Débora, tenho muitas novidades.
- O que aconteceu? – perguntou com muito desânimo.
- Não estou na sua festa, porque o Jonas me convidou para ir junto com ele.
- Não entendi – disse Débora, já desconfiada.
- Pois é, nem eu tinha entendido. E como não sei dirigir, nem minha mãe podia ir para o seu aniversário, resolvi aceitar a carona dele.
- E o que houve? O que ele queria? – agora sentira medo da resposta que viria.
- Ah, amiga... foi tão bom. – Fernanda estava suspirando.
- Vamos, diga logo o que aconteceu!
- Calma, já vou contar! – Fernanda riu – Nós ficamos e amanhã darei a resposta do pedido de namoro. Não é maravilhoso.
Débora ainda mais arrasada, desliga o telefone e chora ainda mais. Estava perdendo o homem que amava para sua melhor amiga, quase uma irmã. Parecia que o mundo estava desabando em sua cabeça.
Débora chorou, chorou muito. Queria matar Fernanda, queria matar o próprio pai. A menina estava sentindo os piores sentimentos que alguém pode te. Estava sentindo muita inveja, muito ódio.
- Débora? – chamou Vânia. – Débora, você está ai?
Débora choramingava.
- Débora, não chore! – disse Vânia abraçando-a. – Você não merece isso.
- Ai Vânia, me abrace! – Ela chorava ainda mais.
Vânia abraçou-a e secou suas lágrimas. Débora surpresa, percebeu o olhar penetrante de sua amiga. Mas não disse nada. Estava arrasada, humilhada. Só pensava em se vingar.
- Esquece isso Débora! – aconselhava a amiga.
- Nunca. Hoje foi o ir dia da minha vida, Vânia! – chorou mais.
Vânia acolheu Débora em seus braços e a segurou pela cintura. Sua respiração estava ofegante.
- Vânia é melhor a gente ir embora! – disse Débora tonta devido ao álcool.
Vânia a segurava mais forte.
- Me solta Vânia. Tá apertando!
Mas no envolvimento, o hálito quente da bebida, a situação única em sua vida. Vânia a beijou na boca. Débora apagou.
Já era dia. Os olhos de Débora doíam com a claridade. Os animais faziam muito barulho e estava muito incomodo. Ela abriu os olhos e tentou lembrar porque estava ali. Olhou para o lado e viu Vânia. Lembrou.
- O que estamos fazendo aqui? Não rolou sexo, rolou? – a cabeça doía.
- Bom Dia. – sorriu Vânia.
- Responda garota. – gritou Débora.
- Fizemos tudo, você está arrependida? – indagou Vânia.
- Não é isso, Vânia. É que essa não é a minha praia, você sabe disso!
- Mas Débora, foi a melhor tranza da minha vida.
- Eu nem lembro o que fizemos. – preocupou-se a menina. – O máximo que já fiz até hoje foi dar um selinho em minhas amigas. Jamais pensei em tranzar com outra mulher.
Vânia não negou seu súbito interesse em Débora desde o primeiro instante que a conheceu há muito tempo atrás e tentaria conquista-la de todas as formas possíveis.
Débora ficou intrigada, aquela experiência poderia até sido agradável se ela pelo menos lembrasse como foi, mas ela amava o Jonas e daria tudo de si para ficar com ele. O mesmo Vânia era capaz de fazer para te-la em seus braços novamente.
- Eu amo você, Débora!
- Não tenho coragem , Vânia!
- Eu sei de uma coisa que vai te deixar relaxada novamente.
- O que? – perguntou curiosa.
- Toma, prova isso! – Vânia ofereceu um cigarro de maconha já aceso. – Vai te deixar feliz. – sorriu.
De inicio, Débora rejeitou. Mas a amiga sabia que ela já havia usado drogas antes.
- Como você sabe disso?
- Débora Vasconcelos, eu sei muita coisa da sua vida, gata!
- Eu não te conhecia, como sabe tanto?
- Eu te conheci faz alguns anos, o Tony nos apresentou, na mesma danceteria que ele foi assassinado.
- Mas não lembro dele ter me apresentado para alguém.
- Claro! Você estava louca, garota! Parecia que nunca tinha provado um baseado.
Débora se perdeu nas lembranças.
- E nunca tinha provado mesmo. Aquela foi a primeira vez que eu tinha usado qualquer tipo de droga. Ah, mas vamos esquecer aquele dia. Só vai me deixar mais triste.
- OK! Mas vai fumar, não vai?! – insistiu Vânia.
Impulsiva e com raiva, Débora nem pensou. Tragou o cigarro o mais forte e após alguns minutos estava eufórica. Falar da morte do seu ex-namorado a deixava daquela maneira e com a ajuda da maconha a menina não conseguia se controlar mais. Entregando-se mais uma vez aquela outra mulher.
Só que dessa vez, Débora sentiu toda a relação e entregou-se totalmente. E gostou. Além de aquela não ser mesmo a primeira vez que ela fumava maconha, e Vânia sabia disso.       
E assim aconteceu, Débora nunca mais seria a mesma.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

quarta-feira, 1 de abril de 2009

CAPÍTULO I


Este era o primeiro dia de aula na pequena cidade onde a família Vasconcelos vivia. Débora acordou cedo para ir ao colégio, estava com saudades de suas amigas e de se envolver nas encrencas costumeiras, como era de seu costume. Ao chegar à aula de literatura, reuniu logo todas as meninas do seu grupo e comentou o tempo inteiro para as suas amigas como haviam sido suas férias.
O professor Jonas, meio incomodado com a conversa, não parava de olhar para ela, só que não manifestava raiva e tão pouco procurou pedir silêncio para aluna. E esta atitude foi interpretada por Débora de uma forma totalmente equivocada. A menina pensou que o professor estava interessado por ela. Principalmente por que o Jonas a olhava com uma certa mistura de raiva e encanto. Pois, realmente Débora era uma garota muito bonita, mas também não demonstrava atenção alguma a aula do professor.
Naquela mesma manhã de segunda-feira, Débora havia acabado de conhecer Vânia, uma menina muito inteligente e isso despertou o seu interesse, pois há muito tempo Débora não manifestava algum esforço em querer estudar. A garota havia percebido algo muito familiar nessa nova amiga, algo que trazia lembranças que atordoavam, mas ela não lembrava o que a fazia pensar nisso. A única coisa que a deixava intrigada com relação à Vânia era sua forma de olhar; penetrante, profunda. Assim como as suas outras amigas também perceberam, mas isso não a incomodava tanto, pois até então não representava nada para ela.
Aquele ano, fora o único em que Débora e Fernanda não estudaram na mesma turma, mas as salas de aula eram vizinhas e a todo o momento elas se viam. Principalmente nos intervalos das aulas e foi assim neste dia.
- Amiga, estou namorando. – disse Fernanda aos suspiros.
- Aah! Conte-me logo quem é? Estou morta de curiosidade. – Perguntou Débora, revirando os olhos.
- Ele é um gato, sabe?! – Fernanda suspirou novamente – É da minha religião e a mamãe concordou.
Fernanda era uma menina conservadora, que sempre procurava respeitar a opinião de Raquel, sua mãe e de sua religião que era muito rigorosa, por esse motivo ela buscava procurar um namorado que a pertencesse também. Ela e Raquel viviam sozinhas desde que seu pai havia falecido e sua mãe nunca se interessou por um outro homem. Sobrevivendo de uma pensão fornecida pela PETROBRAS, empresa, a qual, Marcelo trabalhava e aonde viera a falecer.
- Que bom, amiga. Fico muito feliz por você. – disse Débora, saindo às pressas para a ultima aula do professor Jonas.
Assim arrastaram-se as semanas, Débora a cada dia procurando motivos para está perto do seu professor de literatura e Jonas, por sua vez, demonstrando uma certa atração pela jovem aluna.
E todo aquele encanto e desejo que Débora acreditou que Jonas estava sentindo por ela despertou algo diferente na menina, mas ela não entendia o que poderia ser. Ora julgava ser paixão, ora julgava ser amor, a única certeza era que Débora estava gostando da situação, apesar disso mexer com suas estruturas. E na realidade Jonas não sentia nada pela garota, além talvez de um desejo sexual, que surgiu muito depois deles se conhecerem, principalmente pela forma como ela insinuara-se para o professor.
Mas esse novo sentimento também despertava medo, indecisão. Fazia um ano que Débora vivera um relacionamento muito complicado, tornando a menina mais traumatizada, vulnerável, pois seu fim foi trágico. E até então a polícia não havia resolvido esse caso e Débora era uma das suspeita do assassinato do seu namorado. Um crime que chocou a pequena cidade e que mostrou o quanto às drogas está adentro das menores das sociedades. Mas com muito esforço próprio a menina conseguiu voltar à rotina normal, mesmo com as estruturas psicológicas um tanto abaladas.
Contudo, Débora via em Jonas a possibilidade de apagar do seu passado essa mancha negra, que a atordoava tanto. Afinal seus sentimentos eram diferentes, mesmo sendo platônica essa paixão foi crescendo, criando raízes e Débora sonhava cada vez mais. Para a menina era a maior felicidade o simples fato do professor dizer para ela que a achava esperta e simpática. Mas pela primeira vez esse foi um sentimento exclusivo dela, Débora preferiu não dividi-lo com ninguém, nem mesmo com Fernanda que estava dedicando-se inteiramente ao seu novo namorado.
- Amiga você está me abandonando. – resmungou.
- Ah, Débora... Você também não vai mais em minha casa.
- Pois bem, então vamos tomar um sorvete hoje.
- Hoje não vai dar, Débora. – falou um tanto penosa – Vou ao culto da igreja com Samuel.
- Eu não disse! Você não quer mais saber de mim, Fernanda.
- Débora você não vai me entender nunca, não quer namorar ninguém. – reclamou – Há um ano só quer saber de ficar, isso não é coisa de menina direita, sei lá, tenta namorar o Roberto!? Quem sabe não dar certo?
- Fala sério, Fernanda! O Roberto é o maior mane do colégio!
Riram.
- Mas mesmo assim é o único que se interessa pelo vestibular da sua turma. – Fernanda continuou a rir.
- Minha querida, estou em outra. – Débora ainda ria também.
- Quem? Fala-me?
- Espere que mais cedo ou mais tarde todos vão ficar sabendo. – Débora fez cara se suspense – E vê se pára de ficar arrumando um montão de babacas para eu namorar. O teu é um gostosão e você só ma dá bombas.
Riram mais ainda.
Mais tarde, ao chegar em sua casa, Débora pensou em varias maneiras de conquistar o coração de Jonas. Desde muito tempo, ele era parte exclusiva dos seus pensamentos. Até que a menina teve uma idéia maluca, correu para o telefone e convidou o colégio inteiro para uma festa no sitio de sua mãe.
O plano era simples, Débora convidaria todos os seus amigos e professores, para que ninguém percebesse o seu verdadeiro interesse. Por último, ligou para seu amado professor e para Fernanda, que estava com o telefone ocupado em todas as vezes que a amiga ligou – Deve está falando com o gato do Samuel. – disse em pensamentos, que ainda estavam direcionados em Jonas.
Na hora do jantar, a menina esperou pelo momento mais propício da ocasião para conversar com Tereza a respeito de sua festa no sítio.
- Mamãe, darei uma festa no sítio, tudo bem? – Débora olhou para as suas mãos que estavam sobre a mesa.
- Claro que não. – hesitou – Você sabe perfeitamente que tenho ciúmes de tudo que é meu!
- Ah, mãe! Já chamei a turma inteira. – a menina fez cara de choro.
- Não me importa se você chamou seus amigos inconvenientes, Débora.
- Mas os fotógrafos daquela revista local que você sai todos os meses vão está lá! – Débora sabia que essa tática era infalível.
- A revista vai está lá? – Tereza a olhou com interesse.
- Sim e vai ser maravilhoso. – Débora ria consigo mesma.
- Tudo bem Débora, mas nada de bebidas alcoólicas. Espero que ainda lembre dos últimos acontecidos. Essa história com aquele miserável do Tony que nunca acaba, não nos dá paz. – a mulher ficou com uma expressão raivosa – Está me ouvindo? Nada de bebidas e nada de drogas, mocinha!
- Mãe, eu já te avisei que não quero mais ouvir falar deste assunto. – Débora irritou-se.
- Está certa, mas nada de drogas em meu sítio. Está me ouvindo?
Débora levantou-se da mesa enquanto sua mãe terminava esta frase, deixando todo o seu jantar, embora com uma expressão de que estava concordando com as suas exigências. Na manhã seguinte, logo cedo como estava sendo de costume, Débora já estava pronta para ir ao colégio. Eduardo, seu motorista, já esperava pela garota na porta de sua casa, quando recebeu um telefonema que o deixou nervoso. Mas procurou superar esse nervosismo.
A caminho do colégio, Débora pegou o seu telefone celular e começou a ligar para algumas pessoas que organizavam festas particulares, iguais a que ela pretendia fazer. Eduardo que já dirigia calmamente devido ao horário fitava-a pelo retrovisor do carro. O seu olhar era do tipo que não podia ser decifrado, talvez nem mesmo ele soubesse o que tanto admirava em Débora. Mas essa admiração ficou guardada para si, como em todos os dias que a levava para onde fosse.
No colégio, o comentário do dia era a festa que Débora estaria dando. Mas a menina não parou para escutar. Seu único interesse era encontrar o professor Jonas, que estava dando uma rápida explicação do assunto dado na aula passada para algumas alunas do terceiro ano.
- Licença. – interrompeu-os Débora.
- Olá Débora. – respondeu Jonas – Toda licença do mundo para você.
As alunas saíram pelo canto. Débora ficou com as maçãs da bochecha vermelha de vergonha e alegria.
- Desse jeito professor eu fico convencida de muita coisa. – provocou.
- Mas esse não é o lugar para discutirmos isso, não acha? – Jonas lançou um olhar cínico para a menina.
- Concordo. – Débora precisou segurar na coluna que sustentava o telhado do corredor do pátio.
- Bom, afinal para que me procura?
- Só queria saber sua resposta a respeito do convite que o fiz ontem à noite, lembra?
- Claro que lembro. – ele sorriu – Mas, infelizmente não poderei aceitar o seu convite, já tenho um compromisso para essa data. Fica para uma próxima vez.
- O que? – Débora ficou em pânico – Não, Jonas... Aliás professor... Você é meu convidado vip! Você tem que ir.
- Realmente eu lamento.
- Ah, eu mudo a data então – a menina tentava encontrar uma solução.
- Mas Débora, você não pode mudar a data de sua festa por minha causa.
- Claro que posso. – ela o encarou.
- Mas... – Débora o interrompeu novamente.
- Nem mais, nem menos mais. Quando você poderá ir? – essa pergunta deixou o professor sem graça e impressionado, mas acabaram entrando em um acordo.
Mais tarde, no intervalo.
- Ah, Fernanda como estou feliz...
- Feliz com o que, amiga?
- Eu não te disse?! Estou amando e percebo que estou sendo correspondida. – dessa vez era Débora que estava aos suspiros.
- Agora sim, estamos falando a mesma língua! – Fernanda começou a rir baixinho.
Nesse instante Vânia apareceu interrompendo a conversa das amigas.
- Oi meninas. – disse alegremente.
- Oi Vânia! Sente-se, tenho mesmo que te falar uma coisa. – respondeu Débora.
- Pode dizer, Débora. – Vânia a olhava da mesma maneira penetrante.
- Daqui a dois meses darei uma festa e você está convidada! – Débora desviou os olhos.
- Que legal. Irei marcar presença – respondeu com mais alegria.
E assim passaram-se os dois meses programados para a festa que Débora tanto desejava. Muitas coisas tinham mudado, mas Débora não queria saber de mais nada que não fosse sua festa e o seu amado professor.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Romance

TUDO DE MIM


Prólogo
1989

Era à tarde de um domingo ensolarado de verão. Débora brincava na areia da praia enquanto seus pais brigavam por algum motivo não aparente. Até que ela viu Tereza chorar ao ser estapeada por Daniel e também chorou ao vê-lo apontar uma arma para a mulher, ouvindo-se um barulho de tiro em toda a praia. A menina secou as lágrimas e olhou impressionada, o tiro atingira sua mãe.
Todos correram para ver, nesta época do ano a casa de praia da família Vasconcelos ficava lotada de amigos, que puseram Tereza em uma ambulância e trataram de acalmar Daniel que permaneceu ali, chorando e transparecendo uma mistura de feições que confundiam ódio e um estado de alcoolização. Mas ninguém se lembrou da criança, que se viu sozinha e desprotegida em meio àquela confusão.
Tereza foi levada a um hospital. Raquel, que era uma das amigas da família, foi junto. Ela e seu marido estavam passando as férias na casa de praia do casal. Tereza foi medicada e passou por uma cirurgia urgente. Os médicos conseguiram retirar a bala que estava alojada na coluna vertebral dela, mas esta, por sua vez, ficaria inválida pelo resto da vida sobre uma cadeira de rodas.
Mais tarde, Raquel buscou Débora e a levou para sua casa, onde estava a sua filha Fernanda com a babá, até que sua amiga pudesse sair do hospital.
Desde então a vida dessas pessoas jamais seriam as mesmas e Débora nunca soube o motivo real da atitude desumana do seu pai.

Alguns anos depois – 2003

− Fernanda, tenho uma coisa muito louca para te contar!
− O que? Diga logo.
− Ah, deixa a Elô e a Luana chegarem!
Débora fazia um clima de mistério. Fernanda estava tomada por uma curiosidade enorme quando as amigas chegaram, mas ela sabia que Débora era maluca e que tudo para ela era uma loucura.
− Meninas, estou apaixonada! – disse Débora – Na verdade, estou amando mesmo. Cara o olhar dele me fascina, até acho que já o vi em algum lugar. Mas não consigo lembrar-me onde.
− Deve ter sido em outro planeta! – disseram as amigas com um certo desânimo – E quem é a nova vitima? – riram.
− Ah, é o… Deixem pra lá! Tenho que ir, o motorista chegou.
Débora era uma garota muito bonita, tinha dezessete anos e estava sempre se apaixonando por qualquer um, algo típico de sua idade. As únicas coisas que a deixava triste eram a ausência de seu pai e a invalidez de sua mãe, que foi causada por ele.
Tereza e Daniel nunca foram um casal apaixonado de verdade, na realidade os dois casaram por puro interesse por parte de Daniel, que desde o que ocorrera na praia não viveram mais juntos e fizeram daquele dia um mistério nunca revelado a ninguém. Porém essa foi à única coisa que fez ambos entrarem em um suposto acordo e viverem passionalmente. Mas não o suficiente para saciar uma revolta que cresceu junto com a jovem Débora.
Talvez sendo este o motivo que a tornou uma menina impulsiva, inconseqüente e apesar de ser uma menina muito rica, não tão ambiciosa quanto a mãe. Que depois de ser aposentada pela PETROBRAS e receber uma herança dos seus pais, que morreram após um naufrágio em uma pescaria, deixando tudo para a única filha (questão de alguns milhões de dólares que acumularam com uma bem-sucedida empresa especializada em materiais de pescaria marítima). Tereza nunca mais pensou em outra coisa, a não ser em dinheiro e em seus inúmeros amantes.
− Oi mãe! Está bem hoje? – Débora perguntou um pouco intrigada.
− Oh, sim… Claro! – respondeu Tereza, que estava recebendo seus massagistas em sua casa – Seu pai ligou dizendo que queria vê-la este final de semana!
− Nem pensa nisso! Já combinei de sair com as minhas amigas.
O Telefone tocou, era Daniel novamente. A empregada atendeu e passou o aparelho para a patroa mais jovem.
− Alô! – disse Débora – O que você quer papai?
− Minha filhinha, irei apanhá-la hoje a tarde, tudo bem?
− Não!!! Vou sair com as minha amigas, que se preocupam comigo de verdade e não pelo meu dinheiro como você!
− Mas Débora, como… − Daniel tentou não engrossar o tom de voz.
− Papaizinho, vai te fuder!!!
Escuta-se um alto barulho de telefone sendo desligado. Em seguida Débora foi para o quarto com muita raiva do pai. Enquanto Tereza vibrava na sala com a atitude da filha para com Daniel.